Dakar2026 com novidades

A edição de 2026 do Rali Dakar de todo-o-terreno terá oito mil quilómetros de extensão, 4.901 deles cronometrados, com alterações ao percurso relativamente às edições anteriores.

Lusa /
Reuters

A prova disputa-se pelo sétimo ano consecutivo na Arábia Saudita, mas a organização, a cargo da Amaury Sport Organization (ASO), deixou cair este ano a passagem pelo deserto do Empty Quarter e a etapa maratona de 48 horas em que os concorrentes tinham de passar a noite no deserto.

A edição deste ano disputa-se de 3 a 17 de janeiro e terá 13 etapas e um prólogo, com partida e chegada em Yanbu, sendo o dia de descanso em Riade, onde os pilotos chegam após uma etapa disputada nas dunas.

Se para os automóveis a classificação do prólogo serve apenas para definir a ordem de partida para a primeira etapa, nas duas rodas a etapa inaugural já será contabilizada para efeitos de classificação.

As primeiras etapas serão marcadas pelos pisos pedregosos. De tal forma que a organização permite aos pilotos uma paragem para troca de pneus nas duas primeiras tiradas, ao jeito de uma paragem nas boxes da Fórmula 1.

Seguem-se as dunas antes do dia de descanso.

A segunda metade do rali apresenta-se com as etapas mais longas e pisos variados, misturando as pistas rápidas com a areia e navegação, até a caravana regressar a Yanbu.

Haverá ainda duas etapas maratona, com percursos diferentes para os automóveis, motas e camiões, em que os pilotos não têm assistência externa no final.

Nos carros, o saudita Yazeed Al-Rahji (Toyota Hilux), vencedor da edição passada, terá como principais oponentes o espanhol Carlos Sainz (Ford Raptor), que tem quatro triunfos, e o francês Sébastien Loeb (Dacia Sandero), para além do qatari Nasser Al-Attiyah (Dacia Sandrider), cinco vezes vencedor, do sul-africano Henk Lategan (Toyota Hilux), segundo classificado em 2025, e do português João Ferreira (Toyota Hilux), que foi oitavo.

Contudo, Al-Rahji chega ao Dakar após uma prova marcada por um grave acidente sofrido na Baja da Jordânia, que lhe custou meses de recuperação a duas vértebras fraturadas. Foi apenas 22.º em Portugal e desistiu no rali de Marrocos.

Contudo, sente-se confiante após a vitória de 2025. “Sentimos que podemos voltar a vencer”, sublinha o piloto de 44 anos.

Nas duas rodas, o australiano Daniel Sanders (KTM) parte como favorito à vitória, ele que se sagrou campeão mundial no Rally Raid Portugal, e que terá a companhia do espanhol Edgar Canet e do argentino Luciano Benavides.

Sanders dominou a temporada de 2025, com quatro vitórias nas cinco provas mundialistas, incluindo os triunfos no Dakar, que dominou, e em Portugal.

“Não penso que tudo tenha sido perfeito durante a corrida no ano passado. A vitória é, sim, o resultado perfeito. Mas, em cada etapa, cometem-se sempre pequenos erros e há tantas coisas que podem mudar. Acho que consegui simplesmente gerir muito bem, concentrar-me em mim próprio e atacar quando sabia que podia fazê-lo”, recorda.

Em declarações ao site oficial da prova, Daniel Sanders sublinha que o seu estilo de pilotagem “não mudou”.

“Agora posso andar a 100% com a moto, e não há sensação melhor do que essa. Ser campeão do mundo mostra que fiz mais uma boa temporada”, sublinha.

Os principais adversários vêm da Honda, equipa que continua a ser gerida pelo português Ruben Faria e que conta, nas suas fileiras, com os experientes Tosha Schareina, Ricky Brabec, Adrien Van Beveren, e Skyler Howes.

A equipa do construtor indiano Hero e a espanhola Sherco, este ano sem o português Rui Gonçalves, esperam intrometer-se na luta por etapas.
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